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Juarez Alvarenga
A vida seria um olimpo ou templo?Nossa personalidade é
animalesca a ponto de morrer por um objetivo, ou calma,
capaz de suportar o peso de uma derrota em sintonia com
a divindade?
Devemos investigar em plenitude nosso intimo e nosso
ímpeto perante a existência. Somos da mansidão de um
oriental ao ver a imensidão do oceano ou somos de uma
inquietação desenfreada quantos surgem os desafios.
Não somos nós que escolhemos as batalhas; elas aparecem
dentro das circunstâncias vivenciais com seu repertório
infinito e grau de dificuldades variáveis.
Perseguir metas é o roteiro do lutador. Conquistar é a
índole do guerreiro. As duas palavras - lutador e
guerreiro - no meu contexto existencial não são
sinônimas.
Lutador é ir para luta com espírito desarmado. Guerreiro
é auto superar e buscar a vitória, não a qualquer jeito,
mas num único jeito, proporcionado pelo estreito espaço
onde infiltramos a ação possível.
Lutador é ir para luta contaminado pela raquítica
impulsão interior.Guerreiro é superar os obstáculos como
uma alma em sintonia com a racionalidade.
Lutador é ser atirador com uma bala só e de um único
jeito. Guerreiro é puxar o gatilho quando estiver
próximo do alvo e tentar várias maneiras até acertar,
tendo a paciência de um monge.
Lutador é acreditar em dádivas e sortes no sucesso
humano. Guerreiro é acender a labareda e impulsionar sua
potencialidade máxima, construindo um teto para proteger
das possíveis tempestades.
Lutador é pensar em vitórias virtuais habilitando a
mente com artifícios imaginados, sem perceber o grau de
dificuldades das coisas. Guerreiro é ir para luta ciente
de seus obstáculos, mas nem por isto recuar perante os
conflitos.
Lutador é parar na primeira vitória ou na primeira
adversidade. Guerreiro é compreender que na existência
não existe campeonato invicto, mas lutar cada batalha
com a intensidade como se fosse única.
Lutador é ser portador das armas desarmadas. Guerreiro é
ser construtor de seu próprio arsenal de guerra.
Achamos que o lutador é o degrau debaixo do guerreiro.
Subir depende de sua vontade intima, pois no degrau de
cima estão os meus inertes sonhos prontos para serem
acionados pela valentia de uma manhã saudável.
Eu aprendi a desaguar minhas utopias em receptáculos
infinitos, pois do meu intimo saem braçadas imensas;
nunca traço meta final, porém acredito imensamente que
limitar metas é criar desânimos e nadar sem elas é ir
bem além de nossas potencialidades. A sua não limitação
não quer dizer nadar sem destino, quer dizer, sim, nadar
com astúcia e determinação. E antes de chegar na praia,
em alto mar, sozinho como timoneiro sobre os comandos
das estrelas me acho como Napoleão quanto à guerra; é
comigo mesmo.
JUAREZ ALVARENGA
ADVOGADO E ESCRITOR
COQUEIRAL MG - E MAIL:juarezalvarenga@tpnet.psi.br |